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Dj Bob Esponja

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    1. Minha Alma

    Minha Alma

    Dj Bob Esponja

    Composição: Bob esponja

    Escutei dois tiros
    Na madrugada, tudo rola
    Todos estão submetidos
    To andando em direção a minha quadra
    Olho pro chão e vejo sangue na calçada
    Que caralho, peito molhado
    To suando frio
    Arrepiando os cabelos do braço
    Que porra é essa?
    Será que me acertou?
    Olhei pra baixo e vi meu peito furado, mas não sentia dor
    Continuei andando
    Nem parece que eu to respirando
    Eu sinto sede, boca ressecada com gosto de peixe
    Tudo estranho
    Mó esquisito
    Cheguei na porta de casa
    Escutei os gritos
    Que treta é essa?
    Porta aberta uma hora dessa
    Entrei depressa pra ver de qual que é
    Me assustei quando olhei e vi os gambé
    E o que é pior: vi meu corpo no chão da sala
    Coberto com a toalha e minha mãe desesperada gritando em prantos
    "Só tinha dezoito anos, eu quero morrer com ele"
    Meu coração esta sangrando, louca sensação
    Que que eu to fazendo ali no chão?
    Começo a pensar o que é que eu fiz aqui na terra
    O que é que eu vinha representar
    Afinal de contas, na 30ª meu caso vai ser visto como acerto de contas
    Vou ser pichado por muitos
    Mais um bandido que virou defunto
    Pensar na minha mãe um pouco
    Que viu dois filhos se afundarem no mesmo poço
    Calabouço pra quem é bicho solto
    Um tinha 23 e eu só tinha 18
    E agora o que fazer?
    Retrospectiva de vida, logo eu que queria ter um proceder?

    Levante agora, olhe para os céus
    A salvação virá de Deus, pai
    Está em tuas mãos a segunda chance
    Não olhe para trás,
    Siga adiante irmão.

    Madrugada se foi,
    O dia amanheceu
    Mó inflamação, a casa logo encheu
    Vi altos neguinhos que nem mesmo conhecia
    Que apontava pro meu corpo, falava e sorria
    Eu não to nem aí
    É Deus quem vai julgar
    Do jeito que eu fiquei, eles também podem ficar
    Hã, minha dona chegou
    Com lagrima no rosto e em seguida se jogou em direção ao meu corpo
    Sei que pelo menos da parte dela não tinha falsidade
    Era a que sempre me apoiava e me dava coragem
    Cadê os meus parceiros, os meus aliados?
    Será que eram irmãos ou só eram colados?
    Vamos ver quem vai me decepcionar
    Tá chegando quatro trutas que entram devagar
    Um olhando pro outro meio estranho
    Um se desespera e grita "Porra, logo meu mano!?!"
    Nesta hora minha alma chorou
    Senti que eu era alguém mesmo não sendo doutor
    Eu to sentindo coisa estranha ali no meio
    Neguinho de campana apontando o dedo
    Talvez quem me acertou veio conferir o óbito
    Mas não seria mais pratico ter me dado um confere entre os olhos?
    Acabaria a treta.
    Problema resolvido
    O que me admira é um cu desse querer bancar de bandido
    Nem sei do que é que to falando
    Talvez seja um gambé que me acertou por engano
    Não, essa hipótese pode ir descartando
    Por engano nem rola, só se foi praticando
    Por engano nem rola, só se foi praticando
    Só se foi praticando

    Levante agora, olhe para os céus
    A salvação virá de Deus, pai
    Está em tuas mãos a segunda chance
    Não olhe para trás,
    Siga adiante irmão.

    Velório praticado, sepultamento seguida
    Talvez encontre a minha paz nessa outra vida
    Porque a que passou foi cruel
    Porque na guerrilha do mundão quem não se joga vira réu
    Penitencia, talvez por influência
    Sentença é dada a quem pouco pensa
    Talvez seja por isso que não passa a decadência
    Meu extinto sempre foi bicho solto
    Se em vida era nada, imagine agora morto
    Vou nem comentar
    Deixa pra lá
    Se foi Deus quem escreveu, quem é que vai mudar?
    Eu sei que a carne é fraca, mas o espírito não
    Porque sempre fui grilado em ver defunto em caixão
    E vida é uma coisa
    Vida após a morte é outra
    No mundo é aparência, perfume e roupa
    Mas pra defunto não tem moda
    Seja rico ou seja pobre
    É só terra e cova
    Agora é foda
    Último momento,
    O caixão já ta nas cordas
    É lamentável, mas fazer o que?
    Eu sei que eu tive que morrer pra outro nascer
    Surge um vulto de repente, será o que?
    Duas vozes me chamando e eu naquela sem saber
    Do meu lado direito jardim de rosas brancas
    Do lado esquerdo rosas pretas que sangram
    E de repente outro vulto na minha direção
    Num baque forte me leva num arrastão
    Abri os olhos, cansado, com medo, soado, apavorado
    Minha mãe olhou pra mim e começou a passar mal
    A enfermeira falou que eu estava na CTI de um hospital
    Disse também que eu nasci de novo
    E que pelos médicos já estava dado como morto

    - É Gamorra, a vida prega peças na gente
    Coisas que Deus faz são poucos que entende
    As vezes somos sujeitados a passar por coisas estranhas
    Pra ver se entendemos o recado

    Mas aí to firmão, to disposto
    Voltei pra abraçar minha quebrada e começar tudo de novo
    Mas agora é sem o pó
    Sem a merla, sem o ferro, sem o B.O.
    Como tudo de ruim quando se conta, torna brincadeira
    Contei essa historia pros irmão enquanto nos tomávamos a cerva la na feira

    - Aí véi,
    Se Deus te deu uma segunda chance é por que ele tem algo na sua vida ta ligado?
    Então não deixe porque tudo se torne em vão
    Prossiga a jornada, São Sebastião.

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