- 1
Baitaca - Do Fundo da Grota
- 2
Baitaca - Reformando a Muié Véia
- 3
Baitaca - De Chão Batido
- 4
Baitaca - Me Orgulho Em Ser da Campanha
- 5
Baitaca - Mais Pra Louco Do Que Certo
- 6
Baitaca - Cordeona Véia
- 7
Baitaca - Lida Campeira
- 8
Baitaca - Peão Sem Sorte
- 9
Baitaca - Soltito ao Vento
- 10
Baitaca - Dedo Inchado
- 11
Baitaca - Das Missões Para o Rio Grande
- 12
Baitaca - Destrinchando o Bagualismo
- 13
Baitaca - Lamento de Pobre
- 14
Baitaca - O Valor Que Uma Mãe Tem
- 15
Baitaca - Desta Vez Foi Mal De Festa
- 16
Baitaca - Meu Rio Grande É Deste Jeito
- 17
Baitaca - Obrigado Velho Pai
- 18
Baitaca - Vida Gaudéria
- 19
Baitaca - Um Gaiteiro a Moda Antiga
- 20
Baitaca - Cuiudo do Alegrete
- 21
Baitaca - Rei da Grossura
- 22
Baitaca - Baile De Bugio
- 23
Baitaca - Rodeio Campeiro
- 24
Baitaca - Um Bagual Corcoveador
- 25
Baitaca - Égua Baldosa
- 26
Baitaca - Missioneiro Extraviado
- 27
Baitaca - No Meio Dos Quatro Ventos
- 28
Baitaca - Rodeio de Vacaria
- 29
Baitaca - Cantiga de Xucro
- 30
Baitaca - Casamento À Moda Antiga
Dedo Inchado
Baitaca
Solito eu canto pra recordar meu passado
Eu tenho cruza de maragato e chimango
E num fandango eu me encontrava entreverado
Por ser cuiúdo eu me atraquei pedindo cancha
E uma pinguancha já se atirou pro meu lado
Meio careca, banguela e sem sombranceia
Próxima feia! Pior que carro desastrado
Me fiz de tonto e dancei de cabeça erguida
Provalecida me levava chaquaiado
Numa volteada bem num canto do salão
Ela me passou a mão
Mas diz tu tá com o dedo inchado!
Com esta chinoca se grudemo peito-a-peito
Com muito jeito eu fui mudando os passinhos
Disse pra ela: Não posso dançar apertado
Tenha cuidado como o pobre do meu dedinho
E a desgraçada fez de conta que não viu
Se distraiu e me agarrou devagarinho
Morto de dor o meu coração balançou
E ela falou: Mas que dedo grosso e grandinho
Respondi pra ela: É só porque tá machucado
Mas quando está desinchado ele é bem pequenininho
De madrugada, na copa eu tava encostado
Estava cansado e o salão estava cheio
E uma mulher lindaça que nem potranca
Flouxou as ancas e se reborqueando se veio
No meu ouvido ela cochichou em segredo
Tapa teu dedo porque isso fica feio
Eu olhei firme e percebi que a malvada
Era safada entendia do timoneio
Me dá que eu guardo debaixo do meu vestido
Pro meu querido não te olhar de revesgueio
Nós agarrado e não é que a desgracida
Deu-lhe uma retorcida que quase quebrou no meio
Último verso, quero deslindá o retovo
Que é pro meu povo não "compreendê" nada errado
Explico certo pra não causar ignorância
Eu numa estância, trabalhei de empregado
E um certo dia um chimbo comigo rodou
Já se planchou e eu cai desajeitado
Chamei na espora e o desgraçado levantou
Mas me deixou com o dedo todo esculhambado
Sendo preciso, eu dou o patrão de testemunha
Só nunca mais criou unha cabeçudo e retovado