- 1
Delmiro Barros - Adeus
- 2
Delmiro Barros - Deixe Eu Cantar
- 3
Delmiro Barros - Cajueiro Pegue Aqui Na Minha Mão
- 4
Delmiro Barros - Bandeira do Sertão
- 5
Delmiro Barros - Chuva de Saudade
- 6
Delmiro Barros - Nós Nos Prendemos
- 7
Delmiro Barros - Cajueiro
- 8
Delmiro Barros - Dona Tristeza
- 9
Delmiro Barros - Simpatia de São João
- 10
Delmiro Barros - Toada Para A Serrinha
- 11
Delmiro Barros - É Enchendo e Derramando
- 12
Delmiro Barros - Eu e Deus
- 13
Delmiro Barros - Mulher de Invernia
- 14
Delmiro Barros - Cair na Bagaceira
- 15
Delmiro Barros - Como Te Vejo
- 16
Delmiro Barros - Linda pequenina
- 17
Delmiro Barros - Meu Sertão
- 18
Delmiro Barros - Migalhas De Amor
- 19
Delmiro Barros - QUERO ELA
- 20
Delmiro Barros - Boi De Carro E Alforria Ao Boi De Carro
- 21
Delmiro Barros - Doido de Prazer
- 22
Delmiro Barros - É bom D+
- 23
Delmiro Barros - Esqueci De Te Esquecer
- 24
Delmiro Barros - Não Me Deixe
- 25
Delmiro Barros - Paixão Pra Mais de Mil
- 26
Delmiro Barros - Pedindo Pra Voltar
- 27
Delmiro Barros - Seu Doutor
- 28
Delmiro Barros - Vamos Comigo
- 29
Delmiro Barros - Diga Se Valeu
- 30
Delmiro Barros - Héroi Vaqueiro
- 31
Delmiro Barros - Ingratidão
- 32
Delmiro Barros - Poema da Minha Terra
- 33
Delmiro Barros - Povo de Gado
- 34
Delmiro Barros - Um Cavalo Abandonado
Poema da Minha Terra
Delmiro Barros
Do sertão que amo tanto
Onde o céu desdobra o manto
Feito de rendas de anil
Onde o firmamento extenso
É um grande espelho suspenso
Refletindo o rosto imenso
Da minha pátria, o Brasil
Criei-me lá na fazenda
Lá foi minha velha tenda
Onde escutei a legenda
Das coisas coloniais
Cantadores, violeiros
Papafigo, cangaceiros
Caçadores e vaqueiros
Reino encantado e outros mais
A minha casa paterna
Não é a casa moderna
Onde somente governa
Gente de aristocracia
É um casarão de biqueira
De esteio e de cumeeiras
De travessões e soleiras
Linha, ripa e caibaria
É um casarão barrentio
De labrojeiro feitio
Desconforme, luzidio
Minado de rubra cor
As suas fulgentes telhas
Flamejam como as centelhas
Dessas lágrimas vermelhas
Que o Sol derrama, ao se pôr
Em frente a casa um baixio
Onde um sonolento rio
Descansa o dorso macio
Numa esteira de cristal
Naquele terreno vasto
Onde a terra tem mais pasto
Onde o Brasil é mais casto
Eu vi meu berço Natal
Ah! Que primorosas cenas
Quando nas tardes amenas
Um pavão abria as penas
Iluminando o quintal
Onde o vaqueiro desposto
Num cavalo bem composto
Entre paus maneja o rosto
Num drama fenomenal
Ah! Meu tempo de alegria
Quando bebendo poesia
De calça curta, eu corria
As margens do Pajeú
Comendo jabuticaba
Melão, mamão e goiaba
Cambuí, jambo e quixaba
Maracujá e umbu
Ah! Meu tempo de menino
Tempo de bem pequenino
Que a minha vida era um hino
Cantando no coração
Tempo da primeira escola
Da arapuca, da gaiola
Do berimbau, da viola
Da burrica e do pião
De manhã, bem cedo eu ia
Reparar se a vacaria
Estava em paz no curral
Depois revia ligeiro
As cabras lá no chiqueiro
Visitava o galinheiro
E percorria o pombal
Esses quadros que aqui pinto
São quadro que não tem fim
Meu Deus, quanto orgulho sinto
Em poder dizer assim
Nasci fintando as colinas
Onde as águas cristalinas
Espalham pelas campinas
O pranto que o céu chorou
Onde a terra forma um adro
Mostrando a risco de esquadro
O mais invejável quadro
Que a mão de Deus desenhou
Ah! Meu tempo de fartura
De queijo e de rapadura
De leite e manteiga pura
Coalhada grossa, escorrida
Tempo do cascão do queijo
O manjar do sertanejo
Oh velho tempo que vejo
Retratado em minha vida
No meu sertão altaneiro
Foi aonde eu vi primeiro
Um cantador violeiro
Dedilhando uma canção
Fazendo da alma, cigarra
Da garganta uma guitarra
Da vida uma eterna farra
E do Brasil, um coração