Quando as nuvens carregadas
Dão trombadas lá no céu
E os anjos tocam trombetas
Nos confins do mundaréu
Ventania sai correndo
E o capim só quer fugir
Da lambada de um raio
Estalando feito reio (chicote)
Não escolhe onde cair
Na lombada da invernada
Quando as nuvens nevoentas
Nevoaram o meu olhar
E o raio rachou meu peito
Já era tarde pra escapar
Na hora da despedida
Reneguei meu nascimento
Desacorsoei da vida (perdi o alento)
Que estalando feito um raio
Sem pedido de licença
E fez de mim uma incelença (canto fúnebre)
Quando as nuvens distraídas
Mostram os olhos ao luar
Nas águas anoitecidas
Desse rio que vai pro mar
O lamento da turina
De uma viola ponteada
E meu choro em piracema
Sobe o céu com a seriema
Canto de galo-campina
Eu nasci só para cantar
Mourão de cerca
E um balanço de capim
Pois não há quem não se perca
Sob um temporal assim
Mourão de cerca
E um balanço de capim
Pois não há quem não se perca
Sob um temporal assim