1. 1

    Estado de Sítio - A La Mierda Tu Vida

  2. 2

    Estado de Sítio - A Prece

  3. 3

    Estado de Sítio - Anormais

  4. 4

    Estado de Sítio - Calcanhares e Lençóis

  5. 5

    Estado de Sítio - Cartas Marcadas

  6. 6

    Estado de Sítio - Conquista

  7. 7

    Estado de Sítio - Depois do Outono

  8. 8

    Estado de Sítio - Dia branco

  9. 9

    Estado de Sítio - Divino Quebrado

  10. 10

    Estado de Sítio - Ei Você

  11. 11

    Estado de Sítio - Estado de Sítio

  12. 12

    Estado de Sítio - Estado de Sítio

  13. 13

    Estado de Sítio - Fobia

  14. 14

    Estado de Sítio - Fome de viver

  15. 15

    Estado de Sítio - Gaviotas

  16. 16

    Estado de Sítio - Gente Amarela

  17. 17

    Estado de Sítio - Inércia

  18. 18

    Estado de Sítio - La Caja

  19. 19

    Estado de Sítio - La Calle de Los Olvidados

  20. 20

    Estado de Sítio - Libertad

  21. 21

    Estado de Sítio - Máscaras do Cotidiano

  22. 22

    Estado de Sítio - Mesmos Dias

  23. 23

    Estado de Sítio - Mother

  24. 24

    Estado de Sítio - O Que É Preciso?

  25. 25

    Estado de Sítio - O Que é Preciso?

  26. 26

    Estado de Sítio - Papel Velho

  27. 27

    Estado de Sítio - Rascunho da Morte

  28. 28

    Estado de Sítio - Rasteira (Usina)

  29. 29

    Estado de Sítio - Refúgio

  30. 30

    Estado de Sítio - Santo Caolho

  31. 31

    Estado de Sítio - Sistemas Neuronais

  32. 32

    Estado de Sítio - Sol Negro

  33. 33

    Estado de Sítio - Supernova

Gente Amarela

Estado de Sítio

Dia cor de fumo na ventana
Temperando o preço do arroz
Subia torto os becos da esperança
Joelho rachado do samba pra depois

Epa Hey!

Sorria a dor de sua gente
E deslizava no aço da Central
Quem tem alma trancada em marmita
Nunca é destaque de jornal

Epa Hey! E o velho dizia

Está num gosto vulgar
Vem numa fita no cabelo
É esse eterno bacharel
Que desconhece quadro negro
Sua arte é de carne marcada
A sua fé é de vela e cativeiro
É a verdade do teu suor
Que nos agride com seu cheiro
Do sonho só fica a remela dessa gente amarela

Um terno ordinário pro domingo
Estampando a rotina encardida
Perdeu-se os olhos de menino
No calo d’alma e a carcaça mordida

Epa Hey!

Sertão seco na sola do pé
A morte caminha de tênis surrado
Pandeiro pra morena derreter
Aguardente pra queimar todo pecado

Epa Hey! E o preto dizia

Está em cada chão
Em cada enxada e em cada seio
Vem nas costas esfoladas
De um tempo sem começo
Sua cara é de poeira pisada
E o seu ventre é de Sol e terreiro
Se amontoa, se coça, se mija
Sem hora, sem moda, sem linha, sem vida, sem jeito
Do sonho só fica a remela dessa gente amarela
Do sonho só fica a espera dessa gente amarela
Do sonho só fica a remela dessa gente amarela

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