Cantiga do Rio e da Floresta
As águas de certo rio
Que correm na tua veia
Da multidão tem a força
O fragor da maré cheia
Larga é a esperança
Densa e verde floresta
Onde a onça sabe o bote
Quando o grito não se presta
Onde o canto desse rio
Corre livre e abre o leito
Como o mar que tudo inunda
De cem milhões será feito
Ligeiro é como a flecha
De voo reto e certeiro
A flechada que ela risca
Vara a noite por inteiro
Pois esse rio não para
Pois esse rio não cessa
Nem muro dobra sua força
Nem cerca lhe atravessa
E quando num certo dia
Em que o rio da floresta for
Do mar a vaga imensa
Do povo será de festa