- cifra
Aos poucos vão indo embora
As coisas que eu mais gostava
Quando morreu meu cavalo
Por certo Deus descansava
Era uma tarde de outubro
Com silêncio de Sol-por
Um vento nas madressilvas
Ventava anúncios de dor
No céu azul do potreiro
A corvada, em vôos rasos
Trazia garras de morte
Mas a gente nem fez caso
Quando a manhã veio cedo
Na recolhida pra encilha
Faltava um baio cebruno
Na forma da minha tropilha
Um peão de olhos baixos
De freio e mango na mão
Me disse com dor na alma
Morreu seu baio, patrão
As crinas entre as macegas
Cardavam teias de aranha
Que a manhã, ainda agora
Tinha posto na campanha
E os olhos do meu cavalo
Que há pouco não viam nada
Já tinham ganhado o céu
Pelas garras da corvada
Ficou um silêncio largo
Talvez faltando um relincho
Só um choro pelo arame
Pelo cantar dos pelinchos
Olhando o baio estendido
Pensei, bem quieto, comigo
Isso não é coisa, parceiro
Que se faça com um amigo
Coisa triste de se ver
Um amigo desse jeito
Ontem mesmo lhe apertei
A cincha no osso do peito
E hoje lhe vejo assim
Posto em partida, sem viço
Se Deus bem sabe o que faz
Não tava sabendo disso
As crinas entre as macegas
Cardavam teias de aranha
Que a manhã, ainda agora
Tinha posto na campanha
E os olhos do meu cavalo
Que há pouco não viam nada
Já tinham ganhado o céu
Pelas garras da corvada
Já tinham ganhado o céu
Os olhos do meu cavalo
Se vai embora o meu baio
O pingo que eu mais gostava
Quando morreu meu cavalo
Quando morreu meu cavalo
Por certo Deus descansava