Na multidão sou mais um homem
Atravessando a avenida
Um jeans velho e uma camisa desbotada
Nada de tão especial
Do outro lado do mundo já é noite
E um outro homem caminha
Outra vida, outros amores
Nada de tão especial
Uma linha imaginária corta a Terra
No norte há frio, no sul faz Sol
De uma Mahajanga do outro São Francisco
E as aves que aqui gorjeiam
Sim, gorjeiam como lá
Será que chegarei a ser poeira espacial?
Será que meu bater de asas do outro lado causa vendavais?
Será que alguém já notou a pinta que tenho no canto da minha boca?
Será que em cem anos ainda vão falar de nós?
Será que vão me enterrar com minha camisa preferida?
Será que vão usar os pratos que guardei por anos?
E quando eu sair de manhã
Planejo à tarde pra casa voltar
E se eu não voltar
Será que alguém ainda espera por mim?
Será que alguém ainda espera por nós?
Tento esvaziar minha mente
Tenho tentado pensar menos
Te enxergar assentado no trono
Sustentando todo o cosmo e eu
Confiando em seus desígnios
Em suas linhas invisíveis
Que vão costurando tudo
Dizem que, do alto, forma uma linda imagem
Mas, desse plano, não enxergo nada
Todavia, sigo confiando em seus caminhos
Será que chegarei a ser poeira espacial?
Será que meu bater de asas do outro lado causa vendavais?
Será que alguém já notou a pinta que tenho no canto da minha boca?
Será que em cem anos ainda vão falar de nós?
Será que vão me enterrar com minha camisa preferida?
Será que vão usar os pratos que guardei por anos?
E quando eu sair de manhã
Planejo à tarde pra casa voltar
E se eu não voltar