O deserto conhece meu nome
O vento já contou minha idade
Minhas mãos seguraram promessas
Que o tempo chamou de saudade
O céu falava de estrelas
Enquanto eu contava rugas
Abraão via multidões
Eu via tendas e dúvidas
Meu ventre era sala vazia
Ecoando perguntas sem som
Cada ciclo era um adeus
Cada espera, um talvez não
Mas há um tipo de silêncio
Que não é ausência de Deus
É semente sob a terra
Trabalhando em segredo Seu
Quem limita o eterno?
Quem mede Sua intenção?
Se Ele sopra vida no pó
Pode soprar no meu chão
Se Ele prometeu
Vai acontecer
Mesmo que o tempo ria de mim
Eu escolho crer
Meu Deus não consulta relógios
Não se curva ao que é normal
Quando Deus ri por último
O impossível vira real
Eu ri daquilo que era santo
Ri por medo de me frustrar
Mas Deus transformou meu riso
Num nome para embalar
Isaque memória eterna
De que o céu tem senso de humor
Ele escreve com ironia
Mas termina sempre em amor
Não é tarde
Não é seco
Não é frágil demais
Se Ele falou
Está selado
O milagre me encontrará
Quando Deus ri por último
As estrelas aprendem a contar
Uma mulher que era estéreo
Virou mãe de um povo sem fim