Nas margens do Rio Nilo
No silêncio da noite
Uma menina vigia o milagre
Nas águas escuras do Nilo sagrado
Um cesto dançando contra o decreto armado
O medo gritava o nome de Faraó
Mas a fé de uma irmã falava maior
Pequena guardiã do invisível
Olhos atentos ao Deus impossível
Entre juncos e vento, ela ouviu
Que o céu também age no fio do sutil
Ela não correu
Ela não tremeu
Ela falou com o destino
Queres que eu chame
Quem vai nutrir
O futuro escondido?
Oh Miriam! (Oh!)
Filha do som! (Oh!)
Guardiã da libertação!
Bate o tambor! (Ei!)
Bate o tambor! (Ei!)
Que a corrente virou canção!
Do choro nasceu
O libertador
E a dança venceu o opressor!
Anos passaram como vento no deserto
Correntes quebradas, o mar aberto
Diante do Mar Vermelho em fúria e sal
O medo outra vez querendo ser final
Mas quem já guardou milagre em silêncio
Não se curva ao barulho da pressão
Ela atravessa o impossível
Com ritmo no coração
Profetisa não prevê
Profetisa vê
Vê Deus na água
Vê Deus no chão
Vê Deus no meio da multidão
Ela dança
Ela chama
Ela acende a chama
Oh Miriam! (Oh!)
Levanta o som! (Oh!)
Do outro lado da opressão!
Bate o tambor! (Ei!)
Bate o tambor! (Ei!)
Celebra a libertação!
Se o mar se abriu
Foi pra lembrar
Que a fé também sabe dançar!
Nem todo escolhido vê a promessa
Nem todo caminho termina na terra
Mas quem planta ritmo no povo
Nunca morre na história
Ela caiu no deserto
Mas deixou o compasso
E um povo que aprende a cantar
Nunca volta ao cansaço
Oh Miriam! (Oh!)
Filha do som! (Oh!)
Profetisa do coração!
Bate o tambor! (Ei!)
Bate o tambor! (Ei!)
Que a liberdade é oração!
Do Nilo ao mar
Do medo ao amor
A dança venceu o opressor!
Menina do Nilo
Mulher do tambor
Quando o povo canta
Renasce o amor