1. 1

    Orquestra Visceral - A Culpa

  2. 2

    Orquestra Visceral - A Última Carga de Tinta da Minha Caneta

  3. 3

    Orquestra Visceral - Alivie-me

  4. 4

    Orquestra Visceral - Baile Das Lamentações

  5. 5

    Orquestra Visceral - Biblioteca Da Saudade

  6. 6

    Orquestra Visceral - Carta Pra Quem Fica

  7. 7

    Orquestra Visceral - Ciclos De Um Escorpiano

  8. 8

    Orquestra Visceral - Com O Navegar Das Caravanas

  9. 9

    Orquestra Visceral - Cotidiano

  10. 10

    Orquestra Visceral - D.o.m. (Deusa Ouvindo Música)

  11. 11

    Orquestra Visceral - Daqui Pra Frente

  12. 12

    Orquestra Visceral - Dias Tão Sombrios

  13. 13

    Orquestra Visceral - Distância

  14. 14

    Orquestra Visceral - Dó

  15. 15

    Orquestra Visceral - Ela Desconfia de Mim

  16. 16

    Orquestra Visceral - Filha De Yansã

  17. 17

    Orquestra Visceral - Hemorragia

  18. 18

    Orquestra Visceral - Intensidade Zodiacal

  19. 19

    Orquestra Visceral - Lembranças de Um Passado Que Não Voltam Mais

  20. 20

    Orquestra Visceral - Luz e Escuridão

  21. 21

    Orquestra Visceral - Mera Coinscidência

  22. 22

    Orquestra Visceral - Natal

  23. 23

    Orquestra Visceral - Naufrágio Transcendental

  24. 24

    Orquestra Visceral - Necrotério Interno

  25. 25

    Orquestra Visceral - Noites Longas, Madrugadas Frias

  26. 26

    Orquestra Visceral - O Autismo

  27. 27

    Orquestra Visceral - O Lamento de Um Egoista

  28. 28

    Orquestra Visceral - O Melhor Poema Escrito Por Você

  29. 29

    Orquestra Visceral - Pai

  30. 30

    Orquestra Visceral - Pseudo Pensar E Sentir

  31. 31

    Orquestra Visceral - Solo Em Fá Menor

  32. 32

    Orquestra Visceral - Trocando Sombras

  33. 33

    Orquestra Visceral - Vida Que Segue

Filha De Yansã

Orquestra Visceral

Ela irrompe no meu campo pacífico
Um surto luminoso rasgando o templo onde me escondi
Sua dança convulsa desperta o coração adormecido
Batidas que soam como trovões que nunca ouvi
Trouxe-me vida quando eu só tinha poeira
Costurou o ar nos meus pulmões
Quando as esperanças já tinham derretido

Perdão, por não dizer o que fervia em mim
No instante exato em que o destino pediu coragem
Sabia que nossa história vinha com validade curta
E dói saber que você não passeia mais
Pelos corredores vivos dos meus dias
Queria te dar tudo que o mundo te negou
Queria ser tudo que teu espírito um dia buscou

Escrevi poemas como orações em combustão
Pedindo à vida que tão pouco oferece
Uma nova chance pra nós dois
E me calei, me calei quando disseram
Que minha devoção era obsessão
Que meu cuidado era perseguição
Nunca, nunca feri tua liberdade
Ela sempre foi meu altar

Você é um sopro de caos, filha de Yansã
Você é a minha terceira guerra mundial
Por você, posso até me render
E sem sofrer

Teus ventos quebram as janelas da minha razão
E ainda assim me sinto mais vivo no furacão do que na paz
Teu nome ainda ecoa no aço das madrugadas
E cada eco abre uma fenda onde caberia um universo
Se o tempo fosse menos cruel
Seríamos tempestade e farol ao mesmo tempo
Mas o relógio devora tudo
Até o que nasceu com brilho eterno

Sopro, chama, corte, vendaval
Teu movimento contorce o céu
Teu riso invade a espiral
Grito preso, víscera tensa
Minha pele ainda guarda o sinal
Oh filha do vento
Queimando as horas num redemoinho fatal

Você é um sopro de caos, filha de Yansã
Você é a minha Terceira Guerra Mundial
Por você, posso até me render
Entregar o peito, perder o chão
E sem sofrer
E sem sofrer

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