1. 1

    Caetano Veloso - Sozinho

  2. 2

    Caetano Veloso - Oração Ao Tempo

  3. 3

    Caetano Veloso - Você É Linda

  4. 4

    Caetano Veloso - O Leãozinho

  5. 5

    Caetano Veloso - Cajuína

  6. 6

    Caetano Veloso - Alegria, Alegria

  7. 7

    Caetano Veloso - Reconvexo

  8. 8

    Caetano Veloso - Sampa

  9. 9

    Caetano Veloso - You Don't Know Me

  10. 10

    Caetano Veloso - Vaca Profana

  11. 11

    Caetano Veloso - Tigresa

  12. 12

    Caetano Veloso - Podres Poderes

  13. 13

    Caetano Veloso - Sorte (part. Gal Costa)

  14. 14

    Caetano Veloso - Língua

  15. 15

    Caetano Veloso - Trem Das Cores

  16. 16

    Caetano Veloso - Gente

  17. 17

    Caetano Veloso - O Quereres

  18. 18

    Caetano Veloso - Tropicália

  19. 19

    Caetano Veloso - Força Estranha

  20. 20

    Caetano Veloso - Luz do Sol

Podres Poderes

Caetano Veloso

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Motos e fuscas avançam os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais

Queria querer gritar setecentas mil vezes
Como são lindos, como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais

Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será, que será, que será, que será?
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Índios e padres e bichas, negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval

Queria querer cantar afinado com eles
Silenciar em respeito ao seu transe, num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau

Ou, então, cada paisano e cada capataz
Com sua burrice, fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades, caatingas
E nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
Os tons, os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas
E nada mais?

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais

Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e Bens e tais

Será que nunca faremos senão confirmar
A incompetência da América católica
Que sempre precisará de ridículos tiranos?
Será, será, que será, que será, que será?
Será que esta minha estúpida retórica
Terá que soar, terá que se ouvir por mais zil anos?

Ou, então, cada paisano e cada capataz
Com sua burrice, fará jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades, caatingas
E nos gerais
Será que apenas os hermetismos pascoais
Os tons, os mil tons, seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão dessas trevas
E nada mais?

Enquanto os homens exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome, de raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais

Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
Daqueles que velam pela alegria do mundo
Indo mais fundo
Tins e Bens e tais

Indo mais fundo
Tins e Bens e tais
Indo mais fundo
Tins e Bens e tais

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