1. 1

    Tiago Miçanga - A Fonte secou

  2. 2

    Tiago Miçanga - Amargo Coração de Pedra

  3. 3

    Tiago Miçanga - Cuco X Tuco

  4. 4

    Tiago Miçanga - Exercício criativo para um bom presente

  5. 5

    Tiago Miçanga - Não Faço acordo com Dragões

  6. 6

    Tiago Miçanga - Sessão de Break

  7. 7

    Tiago Miçanga - Tardes de julho9

  8. 8

    Tiago Miçanga - Tijolo demode para uma lapide (ou a Lenda da lagartixa que virou Jacaré)

  9. 9

    Tiago Miçanga - A Ciranda dos Três Reis Magos

  10. 10

    Tiago Miçanga - A dança dos porcos e seus vermes moribundos (quarto ato de lembranças esquecidas)

  11. 11

    Tiago Miçanga - Catedral incidente

  12. 12

    Tiago Miçanga - Demorô rimar (ou Já é di é fazer poesia)

  13. 13

    Tiago Miçanga - Dentro do meu ser

  14. 14

    Tiago Miçanga - Faça um Implante

  15. 15

    Tiago Miçanga - Fazendo hora no purgatório (ou sonhando com o fim do verão)

  16. 16

    Tiago Miçanga - Fusão Amoral do Prelúdio Fictício

  17. 17

    Tiago Miçanga - Jornada (quase) Perpétua

  18. 18

    Tiago Miçanga - K*0*L*0*N*1*4

  19. 19

    Tiago Miçanga - Levante para um Amigo

  20. 20

    Tiago Miçanga - Momento Vibratorio

  21. 21

    Tiago Miçanga - N0v05 X4mã5

  22. 22

    Tiago Miçanga - O Homem Cascalho errante numa noite Vazia nos subúrbios aporéticos

  23. 23

    Tiago Miçanga - Para sondar na praça

  24. 24

    Tiago Miçanga - Poética Incidental

  25. 25

    Tiago Miçanga - S.I.S.M.A.

  26. 26

    Tiago Miçanga - Temporal e Analógico

  27. 27

    Tiago Miçanga - Verbo Manicomiar

N0v05 X4mã5

Tiago Miçanga

A luz que brilha do olhar da cobra decepada pela faca afiada do osso do carneiro
E o pesado arfar do homem em cilada que vomita num banheiro,
São como uma entidade que presencia um assassinato sendo um sacrifício por vaidade.

O grito da parideira e do bebê que nasce:
O primeiro ato, a vida que desencadeia!
O messias nasce da menina que já tem força pra ser mãe solteira
E olha seu bebe nos olhos,
Vê o futuro dele em sua retina:
Que é seu filho montado num dragão,
Galopando entre as nuvens fúteis
Destruindo a cidade com a força de um tufão.

A menina descobre fatos inúteis,
Pois ela estará bem morta
E interrompem-na batendo a porta, atacando,
Lhe matarão para seqüestra a criança amada.
Ela, com a fúria de um louco leão que pelo caçador branco é dizimado.
Seu berro agonizante vem como trovão.
Acerta Gaia que cai de quatro chorando,
Pois esta doente por sentir nossa doença.
Enquanto outros estão viajando
E param pra tomar um café em Florença
Como se o mundo fosse parar,
Com a paciência de Jó e tem que aguardar,
Mas ela esta sempre a girar.

E eu pro mundo fico de guarda
Vendo luas subirem e descerem,
Vendo sóis subirem e descerem,
Até vejo o mundo preto e branco
Mas sempre parto o meu giz de cera,
Não me escondo, mas estou no meu canto
E o canto é improvável queira ou não queira.

Da fogueira das vaidades
Onde o homem disseca o homem
Ela destrói toda a cidade
E sobrevive quem tem sobrenome
Se sentem como deuses,
Tratam os outros como lixo,
Nunca perdem nem as vezes esse é o nosso nicho.
De pessoas que sofrem por ter em outros o sorrir,
De palhaços depressivos, crianças viciadas
Às vezes o mundo, não quero sentir,
Pois só aflora mais juventude transviada.

E se todos os deuses gregos espancarem um virgem
Será igual a seqüestrada que tem apego ao carrasco que a levou a para esfinge?
Não muda nada, é adorar quem te abate
Quem te usa e depois te mata,
É a síndrome da viúva negra.

Lembro quando antes morava na mata
Entre as chuvas grossas e o cheiro forte
Fazia o ritual no bifurcar do rio,
Agora a oferenda é na encruzilhada,
Se confundem as várias entidades que vagam entre os planos.

Apesar da faca ainda ser de osso
O que muda é o motivo e o engraçado é que ainda rima
Só que o sacrifício era por necessidade,
Agora sempre é por vaidade e nunca por humildade.

O bebê é mais que santo,
Mas nuca vai perceber
O mundo não vai deixar ser salvo por ele
Em vez disso vai lhe ensinar a domar o dragão
Que vai dizimar suas vidas e salgar sua comida

É a sina das nossas cidades doentes,
Tão feias, tão podres que da pena
Então as chamo de bonitas

Playlists relacionadas Ver mais playlists

Momentos

O melhor de 3 artistas combinados