1. 1

    Tó Brandileone - Xi, de Pirituba a Santo André

  2. 2

    Tó Brandileone - salto (part. ANAVITÓRIA)

  3. 3

    Tó Brandileone - Pra Você Dar o Nome

  4. 4

    Tó Brandileone - Relatividade

  5. 5

    Tó Brandileone - Tanto Quando

  6. 6

    Tó Brandileone - Insostenible Irreemplazable Rock and Roll (part. Perota Chingo)

  7. 7

    Tó Brandileone - Melhor Agora

  8. 8

    Tó Brandileone - O Amor Acaba

  9. 9

    Tó Brandileone - A Vida, a Morte e a Saudade

  10. 10

    Tó Brandileone - Geleira do Tempo

  11. 11

    Tó Brandileone - Parador 2020

  12. 12

    Tó Brandileone - a seco

  13. 13

    Tó Brandileone - Chorume

  14. 14

    Tó Brandileone - O Agora

  15. 15

    Tó Brandileone - Deixe Estar

  16. 16

    Tó Brandileone - Esquece

  17. 17

    Tó Brandileone - Eu Sou Outro

  18. 18

    Tó Brandileone - Meu Coração e o Seu

  19. 19

    Tó Brandileone - Pensando Bem

  20. 20

    Tó Brandileone - Pra Sabiá

  21. 21

    Tó Brandileone - Superdose

  22. 22

    Tó Brandileone - Tranqueira

  23. 23

    Tó Brandileone - A Terceira

  24. 24

    Tó Brandileone - Ancestrais

  25. 25

    Tó Brandileone - Baião do Samba Sem Mesa

  26. 26

    Tó Brandileone - Cão No Calcanhar

  27. 27

    Tó Brandileone - Claro Credo (part. Chico César)

  28. 28

    Tó Brandileone - Com Que Pé

  29. 29

    Tó Brandileone - Conselho de Amigo

  30. 30

    Tó Brandileone - Delírios de Farol

  31. 31

    Tó Brandileone - Desafio

  32. 32

    Tó Brandileone - Dois Vazios (Foi Lá)

  33. 33

    Tó Brandileone - Eu Amo Djavan

  34. 34

    Tó Brandileone - Faça Desse Drama

  35. 35

    Tó Brandileone - Her Song

  36. 36

    Tó Brandileone - Mon Coeur N’est Plus Doux

  37. 37

    Tó Brandileone - O Que Tinha De Ser

  38. 38

    Tó Brandileone - O Sonho

  39. 39

    Tó Brandileone - Ontem Hoje Amanhã

  40. 40

    Tó Brandileone - Orkut é cardápio de solteiro

  41. 41

    Tó Brandileone - Ou Não

  42. 42

    Tó Brandileone - Outras Notícias da Praça Central

  43. 43

    Tó Brandileone - Pausa

  44. 44

    Tó Brandileone - Peralá

  45. 45

    Tó Brandileone - Por Onde Começar

  46. 46

    Tó Brandileone - Primaveras Perdidas

  47. 47

    Tó Brandileone - Quem Sabe?

  48. 48

    Tó Brandileone - Se Toca

  49. 49

    Tó Brandileone - Vai Depender

  50. 50

    Tó Brandileone - Vestido de Baile

  51. 51

    Tó Brandileone - Vou Mandar Pastar

O Amor Acaba

Tó Brandileone

O amor acaba
Numa esquina, por exemplo
Num domingo de Lua nova depois de teatro e silêncio

Acaba em cafés engordurados
Diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar
De repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel
Ou que ela esmaga num cinzeiro repleto
Polvilhando de cinzas o escarlate das unhas

Na acidez da aurora tropical
Depois de uma noite voltada à alegria póstuma
Que não veio

E acaba o amor no desenlace das mãos no cinema
Como tentáculos saciados
E elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão
Como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado

Na insônia dos braços luminosos do relógio
E acaba o amor nas sorveterias
Diante do colorido iceberg entre frisos de alumínio e espelhos monótonos
E no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão

Às vezes, acaba o amor nos braços torturados de Jesus
Filho crucificado de todas as mulheres
Mecanicamente no elevador
Como se lhe faltasse energia
No andar diferente da irmã dentro de casa, o amor pode acabar

Na epifania da pretensão ridícula dos bigodes
Nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas
Quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da ásia
Onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar
Na compulsão da simplicidade simplesmente

No sábado, depois de três goles mornos de gin à beira da piscina
No filho tantas vezes semeado
Às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu
Abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores

Em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas
Onde há mais encanto que desejo
E o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos caindo, imperceptível no beijo de ir e vir

Em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero
Nos roteiros do tédio para o tédio
Na barca, no trem, no ônibus
Ida e volta de nada pra nada

Em cavernas de sala e quarto conjugados
O amor se eriça e acaba
No inferno, o amor não começa
Na usura, o amor se dissolve

Em Brasília, o amor pode virar pó
No Rio, frivolidade
Em Belo Horizonte, remorso
Em São Paulo, dinheiro

Uma carta que chegou depois e o amor acaba
Uma carta que chegou antes e o amor acaba
Na descontrolada fantasia da libido
Às vezes acaba na mesma música que começou
Com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes
E muitas vezes acaba em ouro e diamante dispersado entre os astros

E acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York
No coração que se dilata e quebra
E o médico sentencia: Imprestável para o amor
E acaba num longo périplo tocando em todos os portos
Até se desfazer em mares gelados
E acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo
Na janela que se abre, na janela que se fecha

Às vezes não acaba
E é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa
Que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo
Às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido

Mas pode acabar com doçura e esperança
Uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor
Na verdade, no álcool
De manhã, de tarde, de noite
Na floração excessiva da primavera
No abuso do verão
Na dissonância do outono, no conforto do inverno
Em todos os lugares, o amor acaba
A qualquer hora, o amor acaba
Por qualquer motivo, o amor acaba

Pra recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto, o amor acaba
Pra recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto, o amor acaba
Pra recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto, o amor acaba

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