- 1
UHF - Sou Benfica
- 2
UHF - Menina Estás à Janela
- 3
UHF - Rua Do Carmo
- 4
UHF - Estou De Passagem
- 5
UHF - Cavalos de Corrida
- 6
UHF - Matas-me Com o Teu Olhar
- 7
UHF - A Lágrima Caiu
- 8
UHF - Brincar No Fogo
- 9
UHF - Sarajevo
- 10
UHF - Sonhos Na Estrada de Sintra
- 11
UHF - A Legenda e a Lenda
- 12
UHF - A Saudade É Uma Ressaca
- 13
UHF - Jorge Morreu
- 14
UHF - Na Tua Cama
- 15
UHF - Não Me Deixes Ficar Aqui
- 16
UHF - No Banco de Trás
- 17
UHF - Noites Lisboetas
- 18
UHF - Os Vampiros
- 19
UHF - Vejam Bem
- 20
UHF - (Anjo) Feiticeiro
- 21
UHF - 100% Viciado Em Ti
- 22
UHF - A Canção Pode Ser
- 23
UHF - A Morte Saiu À Rua
- 24
UHF - A Noite Inteira
- 25
UHF - A Tia Dorinda
- 26
UHF - A Última Prova
- 27
UHF - Acende Um Isqueiro
- 28
UHF - Amor Perdi
- 29
UHF - Ao Fim de Tanto Tempo
- 30
UHF - Aqui Planeta Terra
- 31
UHF - Bares
- 32
UHF - Comédia Humana (Parte 2)
- 33
UHF - Dança Dos Canibais
- 34
UHF - Dão-me Prendas
- 35
UHF - Ébrios (Pela Vida)
- 36
UHF - Esperar Aqui Por Ti
- 37
UHF - Esta Dança Não Me Interessa
- 38
UHF - Estes Momentos
- 39
UHF - Faro: Suite 220
- 40
UHF - Foi Por Isto Que Passei
- 41
UHF - Juro Que Tentei
- 42
UHF - Lisboa Hotel
- 43
UHF - Menina Estás à Janela
- 44
UHF - Na Luz da Noite
- 45
UHF - Nove Anos
- 46
UHF - O Tempo É Meu Amigo
- 47
UHF - O Vento Mudou
- 48
UHF - Os Putos Vieram Divertir-se
- 49
UHF - Porque Será Que Amo
- 50
UHF - Rapaz Caleidoscópio
- 51
UHF - Voluntariamente Só
- 52
UHF - (no Fio Dos Anos) Sempre A Correr
- 53
UHF - 70
- 54
UHF - A Minha Geração
- 55
UHF - A Musica de Boca Em Boca
- 56
UHF - Apetece-me Namorar Contigo Em Lisboa
- 57
UHF - Aqui Vamos Nós / Sem Disfarce
- 58
UHF - Boogie Com o Sr. U
- 59
UHF - Caçada
- 60
UHF - Cai o Carmo e a Trindade
- 61
UHF - Caloira Bonita
- 62
UHF - Comédia Humana (Parte 1)
- 63
UHF - Completamente Infiel
- 64
UHF - Dança Comigo (Até O Sol Nascer)
- 65
UHF - Dançando Na Noite
- 66
UHF - De Segunda Até Sexta
- 67
UHF - Dei-lhe Carros e Prendas
- 68
UHF - Do Céu Ao Inferno
- 69
UHF - Do Zero
- 70
UHF - Duelo ao Espelho
- 71
UHF - E Ele Escreveu Genial
- 72
UHF - É Malhar! Malhar!
- 73
UHF - Em Dezembro, Meu Amor
- 74
UHF - Em Tribunal
- 75
UHF - Em Violência
- 76
UHF - Era Nani (e Era Minha)
- 77
UHF - Estou-me Nas Tintas (Primeiro Os Meus)
- 78
UHF - Eu Escolhi a Estrada Certa
- 79
UHF - Fã Número Um (Sou Eu e Mais Nenhum)
- 80
UHF - Foge Comigo Maria
- 81
UHF - Foi no Porto
- 82
UHF - Geraldine
- 83
UHF - Gin Puro
- 84
UHF - Guantanamera
- 85
UHF - Há Rock No Cais
- 86
UHF - Hey, Hey, Hey Borá Lá
- 87
UHF - Índio (Eu e Tu Aqui)
- 88
UHF - Íntimo (Regresso do Inferno)
- 89
UHF - Já Não Sei Fugir
- 90
UHF - Joey Ramone (Tributo)
- 91
UHF - La Pop End Rock
- 92
UHF - Lily Casou À Pressa
- 93
UHF - Manel das Mãozinhas
- 94
UHF - Margarida (Num Jardim)
- 95
UHF - Mas (Só Gosto de Ti)
- 96
UHF - Memórias de Hotel
- 97
UHF - Meninos Angolanos
- 98
UHF - Modelo Fotográfico
- 99
UHF - Nativos
- 100
UHF - Noites Negras de Azul
- 101
UHF - Nove e Trinta
- 102
UHF - O Conselho da Fada
- 103
UHF - O D.J. É Um Rei
- 104
UHF - O Povo do Mundo
- 105
UHF - O Presságio da Fada
- 106
UHF - O Primeiro Concerto
- 107
UHF - O Que Resta de Mim
- 108
UHF - O Tango Dos Rafeiros
- 109
UHF - O Velho Pastel de Belém Rosna
- 110
UHF - Pálidos Olhos Azuis
- 111
UHF - Pede Ao Pai
- 112
UHF - Poderia Ser Assim
- 113
UHF - Por Três Minutos Na Vida
- 114
UHF - Porquê
- 115
UHF - Porquê Só Ela
- 116
UHF - Portugal (Somos Nós)
- 117
UHF - Puseste o Diabo Em Mim
- 118
UHF - Quando (dentro de ti)
- 119
UHF - Quero Entrar Em Tua Casa
- 120
UHF - Quero Estoriar e Uma Oração
- 121
UHF - Quero Um Lugar No Top Inglês
- 122
UHF - Raiva End Roll
- 123
UHF - Rola Roleta
- 124
UHF - Rumo Ao Céu (não Dói Nada)
- 125
UHF - Sangue
- 126
UHF - Santa Loucura
- 127
UHF - Saraievo
- 128
UHF - Se Fosses Minha
- 129
UHF - Sem Disfarce
- 130
UHF - Só Eu Sei Porquê
- 131
UHF - Só Um Convite
- 132
UHF - Soldadinhos De Brincar
- 133
UHF - Suave Dança do Vento
- 134
UHF - Tão Quente
- 135
UHF - The Passenger
- 136
UHF - Tu Mordes e Eu Deixo
- 137
UHF - Tudo Se Move À Procura
- 138
UHF - Um Anjo No Meu Quarto
- 139
UHF - Um Copo Contigo
- 140
UHF - Um Mau Rapaz
- 141
UHF - Um Tipo Sincero
- 142
UHF - Um Tiro Na Solidão
- 143
UHF - Uma História Com (a)gente
- 144
UHF - Velhos Amigos (Onde Estais)
- 145
UHF - Velhos Tamborins
- 146
UHF - Vernáculo (Para Um Homem Comum)
- 147
UHF - Viver Para Te Ver
- 148
UHF - Voo Para a Venezuela
Vernáculo (Para Um Homem Comum)
UHF
Sem vontade de escolher um rumo
Sem vontade de fugir, sem vontade de ficar
Parei por dentro de mim, olho à volta e desconheço o sítio
As pessoas, a fala, os movimentos
A tristeza perfilada por horários
Este odor miserável que nos envolve
Como se nada acontecesse e tudo corresse nos eixos
Estou cansado destes filhos da puta que vejo passar
Idiotas convencidos que um dia um voto lançou pela TV
E se acham a desempenhar uma tarefa magnífica
Com requinte de filhos da puta, sabem justificar a corrupção
O deserto das ideias, os projetos avulso para coisa
Nenhuma, a sua gentil reforma e as regalias
Esses idiotas que se sentam frente-a-frente no ecrã
À hora do jantar para vomitar o escabeche
De um bolo de palavras sem sentido
Filhos da puta, porque se eternizam
Se levam a sério e nos esmigalham o crânio
Com as suas banalidades: O sôtor, vai-me desculpar
O que eu quero é mandá-los cagar para um campo
De refugiados qualquer, vê-los de Marlboro entre os dedos
A passear o esqueleto, entre os esqueletos
Naquela mistura de cheiros e cólicas que sufoca
Apenas e só, sufoca
Estou cansado, cansado da rotina
Desta mentira que é a vida
Servida respeitosamente, com ferrete
Obediente, obediente
Estou cansado de viver neste mesmo pequeno país
Que devoram, escudados pelas desculpas
Mais miseráveis, Este charco bafiento onde eles pastam
Gordos que engordam, ricos que amealham sem parar
Idiotas que gritam, paneleiros que se agitam
De dedo no ar, Filhos da puta a dar a dar
Enquanto dá a teta da vaca do Estado
Nada sabem de história, nada sabem porque nada leem
Além da primeira página da Bola, o Notícias a correr
E o Expresso, porque sim! Nada sabem das ideias
Do homem, da democracia, Atenas e Roma
Os Tribunos e as portas abertas, e a ética e o diálogo
Que inventaram o governo do povo pelo povo
Apenas guardam o circo e amansam as feras
Dão de comer à família até à diarreia
Aceitam a absolvição, e lavam as manipulas
Na água benta da convivência sã, desde que todos
Se sustentem na sustentação do sistema
Contratualizem (oh neologismo) o gado miúdo
Enfatizem o discurso da culpa alheia
Pela esquizofrenia politicamente correta
Quando gritam, até parece que se levam a sério
Mas ao fundo, na sacristia de São Bento
O guião escrito é seguido pelas sombras vigentes
Estou cansado, cansado da rotina
Desta mentira que é a vida
Servida respeitosamente, com ferrete
Obediente, obediente
Estou farto de abrir a porta de casa e nada estoirar como na televisão
Não era lá longe, era aqui mesmo, barricadas, armas, pedradas, convulsão, nada, não há nada
Os borregos, as ovelhas e os cabrões
Seguem no carreiro como se nada lhes tocasse e não toca
A não ser quando o cinto aperta
Mas em vez da guerra, fazem contas para manter a fachada
Ah, carneirada! Vossos mandantes conhecem-vos
Pela coragem e pela devoção na gritaria do futebol
A três cores, pelas vitórias morais de quem voa baixinho
E assume discursos inflamados sem tutano
Estou cansado, cansado da rotina
Desta mentira que é a vida
Servida respeitosamente, com ferrete
Obediente, obediente
Estou cansado, pá, sem arte, sem gênio, cansado
Aqui presente está a ementa e o somatório errôneo
Do desempenho de uma nação, um abismo prometido
Camuflado por discursos panfletários
Morte aos velhos! Morte aos fracos!
Morte a quem exija decência na causa pública!
Morte a quem lhes chama filhos da puta!
E essa mãe já morreu de sífilis à porta de um hospital
Mataram os sonhos, prenderam o luxo das ideias livres
Empanturraram a juventude de teclados para a felicidade
E as famílias de consumo and consumo
Até ao prometido AVC, que resolve todas as prestações
Quem casa com um banco vive divinamente feliz
E tem assistência no divórcio a uma taxa moderada pela putibor
Estou cansado, pá, da surdez e da surdina, desta alegria por porra nenhuma
Medida pelo sorriso de vitória do idiota do lado
Quando te entala na fila e passa à frente
É a glória única de muita gente, uma vida inteira
Uh, uh ah, ah, eleitos, cuidem da oratória