Onde estavas tu Jó
Quando eu fundava e media a terra?
Quando estendia o cordel sobre ela?
Faça-me saber, se és capaz de o fazer
Onde estavas tu Jó
Quando as estrelas da alva todas cantavam?
Quando os meus filhos todos rejubilavam
Ao contemplarem o Meu grande poder?
Onde estavas tu Jó
Quando criei e pus limites no mar?
As empoladas ondas não ultrapassar
Quando lhes disse: Não vão além daqui?
Faço-te saber Jó
Veja a camada de neblina qual véu
As densas nuvens que se movem nos céus
E a vestimenta que ao mar concedi
Como explicar, Jó
Onde residem luz e escuridão?
Qual o caminho do relâmpago, o trovão?
De onde vem o vento e pra onde vai?
Como me dizer, Jó
Quando criei gota de orvalho no velo?
E de que ventre é procedente o gelo?
E se a chuva, porventura, tem pai?
Onde estavas tu Jó
Quando criei o céu, a terra, o mar?
Cada planeta, cada astro brilhar?
Pois este ao ser humano mistério é
Procure entender Jó
Sou Eu que tenho todo o poder nas mãos
De tudo Sou o Senhor da criação
Não deixe a prova extinguir sua fé
Então respondeu Jó
Eis que sou vil, Senhor
Que responderei?
Ponho a mão na boca e me calarei
Me abomino e me arrependo no pó
Foi difícil? Foi sim
Porém o velho patriarca passou
Todos os bens Deus restituiu e dobrou
Assim mudou-se o cativeiro
De Jó