1. 1

    Amanda Magalhães - Oração ao Capital

  2. 2

    Amanda Magalhães - O Chicote e a Palavra

  3. 3

    Amanda Magalhães - Canção pra Te Amar no Fim do Mundo (part. Chico César e Bione)

  4. 4

    Amanda Magalhães - Melô da IA

  5. 5

    Amanda Magalhães - A Máquina e o Homem

  6. 6

    Amanda Magalhães - Doce Encanto

  7. 7

    Amanda Magalhães - amores vem e vão

  8. 8

    Amanda Magalhães - O Amor Te Dá

  9. 9

    Amanda Magalhães - Ciborgue do Sertão (part. Tuto Ferraz, Fernanda Aimê e Todinei)

  10. 10

    Amanda Magalhães - Eu Quero Likes

  11. 11

    Amanda Magalhães - Mareia (part. Assucena)

  12. 12

    Amanda Magalhães - Vida de Rei, Vida de Cão

  13. 13

    Amanda Magalhães - Coração Só

  14. 14

    Amanda Magalhães - Coup de Foudre (à primeira vista)

  15. 15

    Amanda Magalhães - Falha no Sistema

  16. 16

    Amanda Magalhães - O Canto da Gente (part. Lurdez da Luz)

  17. 17

    Amanda Magalhães - Pra Quem Chama o Meu Nome

  18. 18

    Amanda Magalhães - Prólogo: O Futuro Tem Passado

  19. 19

    Amanda Magalhães - Queria Te Ter

  20. 20

    Amanda Magalhães - Saiba

  21. 21

    Amanda Magalhães - Talismã (part. Liniker)

  22. 22

    Amanda Magalhães - Fazer Valer (part. Rincon Sapiência)

  23. 23

    Amanda Magalhães - Na Sua Casa

  24. 24

    Amanda Magalhães - Papai vai

  25. 25

    Amanda Magalhães - Sambossa

  26. 26

    Amanda Magalhães - Vai Ouvir

A Máquina e o Homem

Amanda Magalhães

Chegou de trem na cidade com pouca coisa na mão
Deixou o campo pra trás sem rumo, nem direção
Olhou a rua apressada quando a sirene tocou
Ao longe viu uma fábrica que cuspia vapor
Chegando lá, uma vaga
Só cilada, sem surpresa
Mão-de-obra barata, mas comida na mesa
Quando a sirene gritava antes do Sol acordar
Lá ia o homem com pressa pra fábrica trabalhar

Quando a sirene berrava antes do Sol acordar
E o maquinário cantava sem nunca desafinar
(Mais peças na esteira, mais horas no relógio)
(Mais fogo na fornalha, mais lucro pro negócio)
Calor subindo do chão, vapor dançando no ar
O corpo dele pedia, mas não podia parar
Parafuso, graxa, carvão e borracha
Um soldado da engrenagem, mas um corpo em modo marcha

Quando a sirene calava e a cidade dormia
Ele voltava pra casa, pela calçada vazia
A coluna curvada, fumaça no pulmão
O peso da labuta tatuado na mão
Seu pai plantava na terra, colhia fruta e feijão
Ele virava uma peça na linha de produção
Olhando o céu da cidade, sem ter pra onde fugir
Pensou no dia seguinte, viu tudo se repetir
Quando começo a viver, quando posso descansar
Eu tô preso nesse loop e o cansaço é de matar
Tomou um gole de cachaça pra anestesiar a dor
Fechou os olhos, dormiu, mas a sirene tocou

O homem cambaleou, já precisava voltar
Viveu os próximos anos vivendo pra trabalhar
Morreu deixando dois filhos, Joaquim e João
Tiveram a mesma sina, a da exploração
Joaquim ainda jovem foi vítima da máquina
Uma desatenção e ele caiu no chão da fábrica
João é que seria a principal fonte de renda
Da família que agora enfrentaria outra tormenta
Mas calma aí, É só se de-di-car
Disse o dono da fábrica que iria compensar
Os anos se passaram, João era exemplar
Sacrificava tudo por aquele lugar
Até que, vixi, baita plot twist
A máquina é agora quem produz tudo que existe
É a automação, dia e noite, noite e dia
Não precisa do João, nem de Pedro e de Maria
Ela faz o trabalho, não faz greve ou adoece
Não tem pausa pro banheiro e nem pro sanduíche
O ganha-pão do operário não tava na wishlist
Não é nada pessoal, João, é só Business
Mas que Deus te abençoe, boa sorte
Dismissed

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