1. 1

    Amanda Magalhães - Oração ao Capital

  2. 2

    Amanda Magalhães - O Chicote e a Palavra

  3. 3

    Amanda Magalhães - Canção pra Te Amar no Fim do Mundo (part. Chico César e Bione)

  4. 4

    Amanda Magalhães - A Máquina e o Homem

  5. 5

    Amanda Magalhães - Eu Quero Likes

  6. 6

    Amanda Magalhães - O Amor Te Dá

  7. 7

    Amanda Magalhães - Ciborgue do Sertão (part. Tuto Ferraz, Fernanda Aimê e Todinei)

  8. 8

    Amanda Magalhães - Melô da IA

  9. 9

    Amanda Magalhães - Doce Encanto

  10. 10

    Amanda Magalhães - amores vem e vão

  11. 11

    Amanda Magalhães - Vida de Rei, Vida de Cão

  12. 12

    Amanda Magalhães - Prólogo: O Futuro Tem Passado

  13. 13

    Amanda Magalhães - Coup de Foudre (à primeira vista)

  14. 14

    Amanda Magalhães - Saiba

  15. 15

    Amanda Magalhães - Mareia (part. Assucena)

  16. 16

    Amanda Magalhães - O Canto da Gente (part. Lurdez da Luz)

  17. 17

    Amanda Magalhães - Pra Quem Chama o Meu Nome

  18. 18

    Amanda Magalhães - Coração Só

  19. 19

    Amanda Magalhães - Falha no Sistema

  20. 20

    Amanda Magalhães - Fazer Valer (part. Rincon Sapiência)

  21. 21

    Amanda Magalhães - Na Sua Casa

  22. 22

    Amanda Magalhães - Papai vai

  23. 23

    Amanda Magalhães - Queria Te Ter

  24. 24

    Amanda Magalhães - Sambossa

  25. 25

    Amanda Magalhães - Talismã (part. Liniker)

  26. 26

    Amanda Magalhães - Vai Ouvir

Ciborgue do Sertão (part. Tuto Ferraz, Fernanda Aimê e Todinei)

Amanda Magalhães

O ciborgue do sertão veio pra sanar a seca
Resolver a condição da humanidade no planeta
Findar a poluição, consertar a natureza
E toda destruição que nós causamos, que beleza!

Vai, ciborgue do sertão, o primeiro em sua linha
A esperança da criança é um androide que caminha
Vai, ciborgue do sertão, bote ordem, repagine
E nos mostre resultado, que legado, imagine!

Teve muito treinamento, teve muito investimento
Teve especulação: Que será do lazarento?
Ele tem autonomia, ele tem conhecimento
Ele tem sabedoria e vai saber tirar proveito

Foi pro mundo estudar, ver o solo, ver o vento
Viu o ciclo do luar, observou o movimento
Viu a morte do oceano, o genocídio Guarani
Não chovia há mais de ano, quis chorar sem conseguir
Enfrentou tanta miséria, solitário na missão
Teve então uma ideia, o ciborgue do sertão

Mudou o seu linguajar, sua comunicação
Aprendeu como falar com os bichos do sertão
Eles percorreram o chão, o ciborgue e sua equipe
De Brasília ao Maranhão, de São Paulo a Sergipe
Ele desligou o chip, dormiu embaixo do céu
Aprendeu com o caboclo, irritou o coronel
Voltou muito encafifado, o homem branco era cruel

Foi então que a conclusão muito clara, no regresso
É que o homem só queria resultado sem processo
Pensa aqui, pensa de lá: Como é que vão ficar os rios e a vegetação? Não se podem recriar!
Ó, ciborgue do sertão, é o homem quem impede
Ele é como bactéria, prolifera e nunca perde

Talvez dê pra explicar, talvez dê pra insistir
Que o sistema em que eles vivem tem que se reconstruir!
Eles não vão escutar, já é ano de eleição
Vão querer terceirizar o fracasso da missão
Os bichos queriam o fim da Era dos Homens
Que só vivem de ilusão

Mas o homem me criou, posso fazer isso não
Me fizeram carne e aço, e eu sinto essa emoção
Ó, ciborgue do Nordeste, esse vai ser seu velório
Partiu como um bom cabra da peste, voltará como um bode expiatório

Mas ele acreditou na chance, fez a oportunidade
Convocou uma assembleia, foi-se embora pra cidade
E, chegando lá no centro, deu o seu depoimento, cheio de solenidade

Ouçam todos, minha gente, vou contar a minha história
Era uma vez o amanhã de um povo sem memória
Que trocou raiz por pressa, esqueceu a trajetória
Engoliu o mundo inteiro, por dinheiro, pela glória

Quer milagre sem caminho, quer colher sem semear
Eu sou só um artifício, nada fiz do chão brotar
Eu sou a prova da mania dessa megalomania
Com a tecnologia, até tudo se esgotar
Muito menos é preciso pra viver em paz consigo
Coisas fúteis e inúteis, não vos deixam enxergar

Peguem ele, prendam ele, e que sirva de lição!
Falha na engenharia do ciborgue do sertão
Ciborgue, ciborgue, ciborgue!

Seu destino já traçado, apontava para a morte
Era o fim anunciado, avançando a galope
E o ciborgue, com tristeza, enxergou de forma plana
Tem conserto a natureza, não a natureza humana

Já se foi há muito tempo, e a seca ainda maltrata
Quem que vai ouvir o vento, quem que luta pela mata?
Na floresta ainda vive quem resiste na peleja
As coisas seguem como são, e o que tiver que ser, que seja

O ciborgue do sertão virou lenda sertaneja
Dizem que mora no trovão, que ameaça e não goteja

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