Os Reis do Silêncio (part. Elder Costa)
Eles eram os reis do silêncio
Sentados à porta do bar
Sem porta, sob o luar
Virando cachaça atrás de cachaça
Sem fraquejar
Eles atravessavam pinguelas
Sem deixar o pau envergar
Seguindo as estrelas dos olhos delas
As moças que vinham lhes roubar o ar
E tremia a terra
Tremiam as vozes e as mãos
Era roda de fogo
Invadindo o coração
Até que o dia morto de cansaço escurecia
E restava só o espanto das quaresmas
Que desde sempre já sabiam, pressentiam
Os perigos das paixões
Todas elas passageiras
Então as moças desapareciam
E eles ficavam sós
Não choravam nem esqueciam
Em cada garganta o novo