Cavalo Guardião

Carlos Magrão

Quando vejo um piazito montado sobre um cavalo
Lembro o primeiro regalo que tive na minha infância
Um potro recém parido se afirmando nos cambitos
O presente mais bonito que eu ganhei quando criança

Ali mesmo na cocheira meu pai disse escolha um nome
Na pureza de um menino eu segui meu coração
Disse obrigado meu pai, abracei meu cavalinho
Falei firme com carinho: O nome dele é guardião

Alazão pêlo lavado e gateado nas canelas
Meu potro virou cavalo, se tornou o xodó das éguas
E eu no lombo era um centauro
Pra delírio das donzelas
E eu no lombo era um centauro
Pra delírio das donzelas

Logo ficou bom de dorso, cavalo de doma fácil
Meu velho se encarregou de preparar o guardião
A firmeza e a confiança, sua marca de domador
Foi por isso que ficou de valor meu alazão

Cresci na volta da estância no lombo desse cavalo
Tirando e botando pealo, na lida virando homem
O causo fica mais sério e ganha até ares de lenda
Quando chegou na fazenda o boi chamado lobisomem

O bicho era endiabrado quando pisou no gramado
Descambou ladeira abaixo se enfiando no macegão
Numa investida violenta soltando bafo das ventas
Levou nas guampas uma cerca e se empenhou lá no capão

A peonada pavorou-se e o boi berrando no mato
Era assustado de fato e eu tinha que honrar meu nome
Botei a bota no estribo e caí de rédeas na mão
E falei pro guardião: Vamos encarar o lobisomem

Alazão pêlo lavado e gateado nas canelas
Meu potro virou cavalo, se tornou o xodó das éguas
E eu no lombo era um centauro
Pra delírio das donzelas
E eu no lombo era um centauro
Pra delírio das donzelas

Era muito desaforo o bicho naquele berreiro
Eu falei pros companheiros vou buscar, pouco me custa
Vou tirar o bicho do mato à pranchaço de facão
Montado no meu guardião nada no mundo me assusta

Meu cavalo estava estranho como quem já pressentia
Era uma tarde fria, o minuano cortava o rosto
Desconfiado dei de rédea e descemos pela canhada
Não sabia o que esperava naquela tarde de agosto

Foram quase duas horas de peleia com o bandido
Meu cavalo foi ferido bem na tala do pescoço
O meu amigo sangrando e a guampa do boi vermelha
Me olhando trocando orelha, babando e mugindo grosso

Tirei o boi do mato, mas perdi o meu cavalo
Nunca esqueço aquela tarde quando o Sol se avermelhou
O meu amigo de infância, seu relincho silenciava
Despedi do guardião e o meu coração chorou

Alazão pelo lavado e gateado nas canelas
Meu potro virou cavalo, se tornou o xodó das éguas
E eu no lombo era um centauro
Pra delírio das donzelas
E eu no lombo era um centauro
Pra delírio das donzelas

Às vezes na madrugada, no silêncio da vigília
Quando tudo silencia escuto a grama amassando
Ouço barulho de estribo, rédeas arrastando no chão
É a alma do guardião que anda por aí pastando
Porque um amigo de infância visita o outro de vez em quando

Alazão pelo lavado e gateado nas canelas
Meu potro virou cavalo, se tornou o xodó das éguas
E eu no lombo era um centauro
Pra delírio das donzelas
E eu no lombo era um centauro
Pra delírio das donzelas
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