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Carnaval É Isso

Edimilson Ferreira E Antônio Lisboa

Carnaval não tem limite nem controle nem fronteira
Tem a sexta-feira gorda, o sábado de Zé Pereira
Domingo, segunda e terça-feira
E ressaca na quarta-feira

E pena vale esperar, o povo é fantasiado
A rainha é escolhida, o rei momo é coroado
Mas se a rainha é de araque, o rei falsificado

O clube é superlotado, a praia è abarrotada
A avenida não cabe, a praça é contaminada
Por tanto corpo bonito e tanta cabeça sem nada

A massa é feito boiada, sem objetividade
Ensaiando personagem, imitando a liberdade
Camuflando o sacrifício e driblando a realidade

E tenham propriedade, trocam de cara e de nome
A minoria não brinca, a maioria não come
Uns por falta de comida, outros por falta de fome

Todo moralismo some pra dar vez aos enrrustidos
As regras são alteradas, os papéis são invertidos
Os roubos não são contados, os crimes não são punidos

Desfiles são exibidos, droga injetada nas veias
Igrejas ficam vazias, boites trabalham cheias
Sobram brigas nas calçadas, faltam vagas nas cadeias

É o refúgio das feias, o consolo do vulgar
Não tem hora pra sair, nem tem dia pra voltar
Feliz de quem vai e volta, ai daquele que ficar

Todos pretendem mostrar pernas, busto e costas nuas
Homens desfilam de pares, mulheres pelam de duas
Ler o Jornal dá desgosto, faz medo sair nas ruas

Recatadas e peruas, puritano e gavião
Investem no visual, apostam na emoção
As fantasias são ricas, os usuários não são

Pra quem divulga é paixão, pra quem protesta é
censura
Pra quem promove é trabalho, pra quem estuda é
cultura
Pra quem assiste é laser, pra quem provoca é loucura

As verbas da prefeitura cobrem projetos de famas
Empresas vendem produtos, indústrias lançam programas
E as honras são acordadas no câmbio negro das camas

Os hospitais fazem tramas, a violência ameaça
O tráfico entra em ação, a segurança fracassa
A carência continua e a decepção não passa

Cerveja, uísque, cachaça, cocaína, crack e cola
Venda de entorpecente, os ?ilegal de pistola?
São recheios do cardápio da geração coca-cola

Ploculau si escola trio elétrico e frevioca
O frevo pernambucano, o samba do carioca
Abrem caminhos sem volta, deixam seqüelas em troca

A música que a banda toca, o som que o grupo produz
Não rompem todas as barreiras, nem quebram todos
tabus
Quando os corações são puros, as almas são de Jesus

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