De manhãzinha perto do fogo me chego
Recostado nos pelegos pra cevar o chimarrão
Tenho uma quincha do pampa por horizonte
Que se estelha além montes salpicados de clarão
Sinto o peito transbordar de alegria
Ao ouvir a poesia na passarada cantar
O tico-tico faceirito na porteira
Enquanto na laranjeira canta triste o sabiá
E madrugada doce amada
Foi se embora a escuridão
E madrugada doce amada
Alvorada de peão
Lá na coxilha berra o touro soberano
E o relincho do meu zaino responde cá no galpão
O meu cusquinho eita bichinho matreiro
Me saúdo companheiro se arrastando pelo chão
Feijão mexido leite gordo e pão quente
Que alimenta o vivente fortalece o coração
Beijo a chinoca dou adeus pra piazada
Começa outra jornada mais um dia de peão
E madrugada doce amada
Foi se embora a escuridão
E madrugada doce amada
Alvorada de peão