Hoje amanheceu chovendo Mas eu não posso parar No galpão todos cochilam Eu tive que levantar Tem vaca pra tirar leite E potros pra galopear
Eu sempre fui peão de estância Gosto daquilo que faço Varro o galpão faço bóia E com Solingem de aço Vou lonquear um couro preto E tirar uns tentos pra o laço
O gado adivinha a chuva Soltando um bafo das ventas E relampeia cruzado Que o índio ate não aguenta Eu passo a mão no machado E benzo mais uma tormenta
Assim é a vida da gente Do fundão duma fazenda Aproveito os dias de chuva Para aumentar minha renda Faço cinto e tranço corda Que indiada que me encomenda
As minhas obrigações Todas elas eu atendo E hoje vou lidar com corda Por que amanheceu chovendo E hoje vou lidar com corda Porque amanheceu chovendo
A chuva não para nunca E depois de um chimarrão Vou laçar lá na mangueira Um lobuno do patrão Pois mesmo deitando água Eu vou tontiá ele a tirão
Já de volta no galpão Engraxo bem meu lombilho Espicho o laço no aramado E pra um guacho doradilho Debulho a força de dedo Uma meia bolsa de milho
De noite segue chovendo E a peonada se assanha Eu pego meu violão Ponteio tomo uma canha É assim que se passa a vida Quando chove na campanha Falquejo uma canga buena Para os cascos do petiço Pois eu só adulo patrão Fazendo bem meu serviço