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Incelença pra terra que o Sol matou

Elomar Figueira Melo

Levanto meus olhos
Pela terra seca
Só vejo a tristeza
Que desolação
Uma ossada branca
Fulorando o chão

E o passo-Rei, rei do manjar
Deu bença à Morte pra avisar
Pra os urubus de outros lugá
Que vissem logo pro jantar
Do Rei do Fogo e do luar

Do luar sizudo
Do Rio Gavião
Mais o sol malvado
Quemô os imbuzêro
Os bode e os carneros
Toda a criação
Tudo o sol queimou

É que tão as era
Já muito alcançada
A palavra veia
Reza que haverá
De chegar um tempo
Só de perdedera

Que só haverá de escapar
Burro criolo e criação
Que pra cumê levanta as mão
E que um irmão pra outro irmão
Saudava que essa pregação

Lembra que a morte
Te espera meu irmão
E o sol da má sorte
Rei da tribusana
Poupou sussarana
Carcará ladrão
Isso o sol poupou!

Mas não há de ser nada
Na função das bestas
Prurriba da festa
Perigrina a fé
Sei que ainda resta
Cururu-tetê

Na minha casa há um silenço
A tuia pura e o surrão penso
O meu cachorro amigo imenso
Deitou no chão ficou em silêncio
E nunca mais se alevantou

Inté os olhos d'água
Chorou que secou
E o sol dessas mágua
Quemou os imbuzero
Os bode e os carnêro
Toda a criação
Tudo o sol queimou
No Rio Gavião
Tudo o sol quemou
Toda a criação
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