1. 1

    Junú - Menestrel do Mundo

  2. 2

    Junú - Marimar

  3. 3

    Junú - Natureza

  4. 4

    Junú - Num Trovejo de Vontade

  5. 5

    Junú - Treme-terra (Ou Grito de Guerra)

  6. 6

    Junú - A Alma Afoita da Revolução

  7. 7

    Junú - Asa Quebrada

  8. 8

    Junú - Borboletas Azuis (Aves da Jesus)

  9. 9

    Junú - Briga de Foice

  10. 10

    Junú - Canção Pra o Beija-flor

  11. 11

    Junú - Cantoria de Reis

  12. 12

    Junú - Chuva de Janeiro

  13. 13

    Junú - Despedida do Guerreiro

  14. 14

    Junú - Doido do Horto

  15. 15

    Junú - Filhos da Mãe D'Água

  16. 16

    Junú - Já Passou

  17. 17

    Junú - Joana Madrugou

  18. 18

    Junú - Mais Tarde, Mais Forte

  19. 19

    Junú - Margarida

  20. 20

    Junú - Minha Violinha

  21. 21

    Junú - Mistério Vento

  22. 22

    Junú - Num Trovejo de Vontade

  23. 23

    Junú - O Nosso Amor

  24. 24

    Junú - Paixão de Abril

  25. 25

    Junú - Piscar de Saudade

  26. 26

    Junú - Ridimúin (Jangada Aérea)

  27. 27

    Junú - Seis Cordas

  28. 28

    Junú - Warakidzã (Senhor do Sonho)

A Alma Afoita da Revolução

Junú

É meio dia, é Sol a pino
Eu já transpiro e vou dizer
O meu lamento não tem história
Não tem memória, o mundo não se acabou
Daí por diante segui pensando (segui cantando)
Não acabou, mas está se acabando

No meio dia de um vinte e três de junho
Já a alguns anos depois do final dos tempos
Tanto calor mexeu com a minha cabeça
Eu estou vendo! Quase não me arrependo

Lá vem a banda, talvez seja uma miragem
Dobrado e marcha, mas parece um funeral
São deserdados, esqueléticos soldados
Numa parada, um desfile ou coisa igual

Não tem beleza, a miséria em suas faces
Verdade e lenda se arranjaram num só hino
Vão celebrando vitórias que nem sei se temos
O purgatório já não cabe um nordestino

É meio dia, é Sol a pino
Eu já transpiro e vou dizer

No juazeiro a cidade
Eterna virgília reveste
Paira no ar um fantasma
De paraíso ou de peste
No juízo final, o fórum
Da injustiça terrestre

A cidade se recolhe
Serene mobilizada
Numa muralha ou num manto
Guarda a tensão domada
Como se só ela soubesse
Da mensageira velada

Concentra o nervo-energia
A espera da pancada
Da ameaça que pende
Como pendão ou espada
Em prontidão de retesa
Em arco e flecha apontada

Pro fim da vida até que morte nos ampare
Será que existe pra esse mundo uma salvação
Se não, eu fico aqui vagando pelo tempo
Com minha alma afoita por revolução

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