No fogo-de-chão, se extinguindo
Vai sumindo suave a lembrança
Da cancha de tava, balcão de bolicho
E de um cambicho a trazer esperança
Esperança que não mais lhe sorriu
E um dia partiu pra não mais voltar
Mas quem traz em si corrente de rio
Não deixa jamais de correr pro mar
Não mais se apegou a uma China
E na vida teatina vagou pelos caminhos
E se ajustou com maulas patrões
Pra ter uns tostões pra fugazes carinhos
Traçou o seu rumo em desertos rincões
Andarilho cansado desses corredores
Fazendo parada, se abrigando em capões
E em catres de Lua amainar suas dores
Mas um dia, cansado, enfim se arranchou
Vendeu suas tesouras, arreios e bastos
Nem viu que o tempo o embuçalou
E se viu apartado de campos e pastos
Seu mundo, sem dó hoje se resume
A um pobre tapume de vil meia-água
De chão batido e paredes com frinchas
Debaixo da quincha de lamentos e mágoas
Desse velho sofrido já em fim de jornada
Só o cusco amigo que se se compadece
E no fogo-de-chão que se vai extinguindo
A visão do passado suavemente desvanece
E no fogo-de-chão que se vai extinguindo