Mais um dia recomeça na pobre Vila Real
Mais um fato acontece e é notícia de jornal
O rancheiro amontoado, se conhecem muito bem
A luz da esquina queimada, uma rua esburacada
Promessas que nunca vem
Um menina escuta o rádio cantarolando faceira
Sem entender o que diz uma canção estrangeira
É tão grande o sonho dela, mas não passa da porteira
É tão grande o sonho dela, mas não passa da porteira
Um cidadão vem lá de fora depois de dias no campo
Traz novidades na mala e enche de alegria o rancho
Um outro sai pelas ruas, juntando as vacas mansas
Pois dela tira o sustento que é o pão chamado esperança
É o bate-boca da vizinha brigando com a gurizada
Um velho cuida sua horta, bem mais cuidada que a casa
Planta e replanta a esperança que a vida será mudada
Planta e replanta a esperança que a vida será mudada
Mais um ano vai embora na pobre Vila Real
Desperta o sonho de tantos que a vida é bela afinal
Na humildade dessa gente resiste a maior riqueza
Honestidade e coragem de lutar por pão na mesa
Na humildade dessa gente resiste a maior riqueza
Honestidade e coragem de lutar por pão na mesa