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Fim do Zé Carreiro

Serrinha e Caboclinho

(Verso declamado)

Conheci há muito tempo o caboclo Zé Carreiro.
Não tinha nenhum amigo no sertão do ingazeiro.
Era homem sem religião e o seu Deus era o dinheiro.
Todo povo se benzia quando via o Zé Carreiro.

(Cantado)

Numa sexta feira Santa, quando a procissão saiu.
O povo todo chorou, Zé Carreiro até sorriu.
O malvado era descrente, quis fazer um desafio.
Pois a boiada no carro e de viagem seguiu.

Mais veio uma tempestade, foi a sua perdição.
Depois de andar duas léguas, o carro foi num grotão.
A boiada se encolheu, no estrondo do trovão.
Zé Carreiro blasfemava no meio da escuridão.

Por ser um homem malvado, caboclo sem religião.
Dava pancada nos bois e chuchava de ferrão.
E tirando a garrucha, foi baleando as criação.
Quando um boi numa chifrada lhe arrancou o coração.

Daí a chuva aumentou, que parecia um tufão.
Um raio riscou o céu e brilhou na escuridão.
Quando a faísca caiu no estrondo do trovão.
Fulminou toda boiada, ficou em cinza o grotão.

Ainda hoje os viajantes, que passar naquela estrada.
Vê uma velha sepultura e uma cruz abandonada.
Nas noites de sexta feira, tem ali alma penada.
Gemendo na sepultura e gritando co'a boiada.
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