1. 1

    Tiago Miçanga - A Fonte secou

  2. 2

    Tiago Miçanga - Amargo Coração de Pedra

  3. 3

    Tiago Miçanga - Cuco X Tuco

  4. 4

    Tiago Miçanga - Exercício criativo para um bom presente

  5. 5

    Tiago Miçanga - Não Faço acordo com Dragões

  6. 6

    Tiago Miçanga - Sessão de Break

  7. 7

    Tiago Miçanga - Tardes de julho9

  8. 8

    Tiago Miçanga - Tijolo demode para uma lapide (ou a Lenda da lagartixa que virou Jacaré)

  9. 9

    Tiago Miçanga - A Ciranda dos Três Reis Magos

  10. 10

    Tiago Miçanga - A dança dos porcos e seus vermes moribundos (quarto ato de lembranças esquecidas)

  11. 11

    Tiago Miçanga - Catedral incidente

  12. 12

    Tiago Miçanga - Demorô rimar (ou Já é di é fazer poesia)

  13. 13

    Tiago Miçanga - Dentro do meu ser

  14. 14

    Tiago Miçanga - Faça um Implante

  15. 15

    Tiago Miçanga - Fazendo hora no purgatório (ou sonhando com o fim do verão)

  16. 16

    Tiago Miçanga - Fusão Amoral do Prelúdio Fictício

  17. 17

    Tiago Miçanga - Jornada (quase) Perpétua

  18. 18

    Tiago Miçanga - K*0*L*0*N*1*4

  19. 19

    Tiago Miçanga - Levante para um Amigo

  20. 20

    Tiago Miçanga - Momento Vibratorio

  21. 21

    Tiago Miçanga - N0v05 X4mã5

  22. 22

    Tiago Miçanga - O Homem Cascalho errante numa noite Vazia nos subúrbios aporéticos

  23. 23

    Tiago Miçanga - Para sondar na praça

  24. 24

    Tiago Miçanga - Poética Incidental

  25. 25

    Tiago Miçanga - S.I.S.M.A.

  26. 26

    Tiago Miçanga - Temporal e Analógico

  27. 27

    Tiago Miçanga - Verbo Manicomiar

O Homem Cascalho errante numa noite Vazia nos subúrbios aporéticos

Tiago Miçanga

Começa sempre quando tem o "q" de termina
Cinza que compõe o seu semblante
Eu fico no ar, e duvido de tudo
Como se tivesse chovendo
Como se tivesse valendo e desta vez fosse a Vera
Em dias nublados oscilando ao sol quente rachado
E de menta na boca as vezes se adormece no banco do ponto de ônibus
Mas se bem que se sabe que alguns já se mataram por ai
Que no final da noite que nuca acaba e emenda dia após dia
Vale tudo entre os vários Rios que habitam o grande Rio de Janeiro
Com suas esquinas pitorescas
Pessoas viajando pra esquecer
Esquecem do motivo da viajem
Pega as mochilas de acampar retoma ao ponto de partida
Pernas que não queriam obedecer este estúpido caminhante
Que se perde por ai e nem percebe as possibilidades
As vezes no silencio longínquo se ouve os anzóis sendo puxados
Pescadores de uma comunidade brejeira que resiste aos subúrbios intermináveis
Subúrbio que alimentam os homens de papel e açúcar
Mil perdões por fazer poemas tão grandes é que a noite não termina
Ela emenda dia após dia as vezes percebo um surto das trevas
Com toda certeza meu amigo a noite só acaba quando esgota a cachaça
E como cria do inferno solto no mundo escorregando em casca de banana só pra chamar tua atenção]
Faz verso como escapismo do tédio infinito
E não sente nem de longe o cheiro da tristeza (só as vezes)
Pois agora tapa as orelhas como mula que empaca em dia de toró.

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