As Tralhas de Um Vaqueiro

Amado Edílson

Tenho no meu escritório
Num cantinho reservado
As tralhas de um vaqueiro
Que já trabalhou com gado

Eu sendo doutor formado
Um amigo perguntou
Me responda por favor
Eu não consigo entender
Estás guardando pra quê?
Esses troços sem valor

Amigo eu vou lhe explicar
O motivo e a razão
Antes de eu ser um doutor
Eu morava no sertão
Meu pai com os calos na mão
Agarrado com a enxada
Numa labuta danada
Ganhando pouco dinheiro
Trabalhava de vaqueiro
Numa terra abençoada

Meu pai ficou no sertão
E eu fui morar na cidade
O que ganhava na roça
Pagava a minha faculdade
Ele longe com saudade
Às vezes sem comer nada
Dormindo numa rede rasgada
E eu numa cama quente
Eu não posso simplesmente
Fingir que não sei de nada

Tá vendo aquela cabaça
Pendurada na parede
Tinha nela pouca água
Que papai matava a sede
Guardei os punhos da rede
Da rede que ele deitava
E a tarrafa que pescava
Aqui eu também guardei
Pra chegar onde eu cheguei
Sem meu velho eu não chegava

Tá vendo aquele gibão
Tem a poeira da estrada
Esse chapéu de vaqueiro
E um troféu de vaquejada
São eles que é bem guardados
Que comigo longe vai
Do escritório não sai
Eu guardo com muito amor
Se hoje eu sou um doutor
Eu devo tudo ao meu pai

Enquanto eu estudava
Nos bancos da faculdade
Meu velho pai trabalhava
No roçado até mais tarde
Com muita dificuldade
Sempre mandava dinheiro
É meu herói, meu guerreiro
Contei tudo pra você
E tenho orgulho em dizer
Que meu pai foi um vaqueiro

É meu herói, meu guerreiro
Contei tudo pra você
E tenho orgulho em dizer
Que meu pai foi um vaqueiro
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