Pampa e Flor

Juliana Spanevello

Pampa e flor, olhos de terra
Querência que quero bem
Escuto o sopro do vento
Pra ver o lado que vêm...
Um rancho de frente leste
Sombra de angico e de ipê
Imagens de encher os olhos
Que a gente olha, e nem vê...

Pampa e flor, te espero um dia
Pra um mate bom com poejo
Pras madrugadas do campo
Acordarem o meu desejo.
Um jujo da mesma várzea
Onde o sol deita o verão
E as garças medem o açude
Um palmo e tanto até o chão.

(Pampa e flor, me acena o pala
Que deixei ainda outro dia
Perfume de lã e campo
Milonga, canto e poesia.
Um assobio se faz copla
No doce das laranjeiras
E uma calhandra faz ninho
Na alma desta fronteira...)

Pampa e flor, tranco sereno
De um baio num campo aberto
Num rumo de ir pra sempre
Que faz o longe ser perto...
Por isso guardo em silêncio
Muito que sei e conheço
Por que sei que além da estrada
A vida tem outro preço.

Pampa e flor, olhos de terra
Querência que quero bem
Todo mundo busca um sonho
Mas poucos sabem que tem...
Sou planura, sombra e vento
Horizonte de sol pôr...
Por muito mais sou querência
Pois sou assim, pampa e flor...

(Pampa e flor, me acena o pala
Que deixei ainda outro dia
Perfume de lã e campo
Milonga, canto e poesia.
Um assobio se faz copla
No doce das laranjeiras
E uma calhandra faz ninho
Na alma desta fronteira...)
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