Canção da Carne Crua

JP Simões

Para quem não saiba, sou glória
Sem estória nem hora marcada.
No fundo da escada, no astória,
Num ermo, na berma da estrada.

Para quem quiser
Eu faço de tudo com nada,
De santa, de mãe depravada,
Com gozo ou com dor...

Ai...

Eu já fui menina, menina
Num tempo de avós e de fadas.
O sol sobre a casa mais fina,
Menina, família sagrada.

E o que sobrou,
A terna esperança de um parto,
A sombra na porta do quarto.
E flor que secou...

Ai...

Detesto amor, detesto os seus enganos,
Os seus gestos, os seus planos,
As promessas, os suspiros,
São delírios desumanos,
Ou então foi sempre assim
Que essa gente fraca e crente
Foi contente na corrente e até ao fim.

Não sou assim,
Não creio, enfim em mais que o mutilar da velha dor...

Detesto amor, detesto amor.

Ai...

Para quem não saiba, eu gosto
Do mosto do rosto animal,
Do cão que há no homem, bem-posto,
Da sofreguidão mais carnal.
E só quem souber as normas da vida ao contrário,
Do luxo do lixo ordinário.
É meu ditador

Ai...

Detesto amor, detesto os seus enganos,
Os seus gestos, os seus planos,
As promessas, os suspiros,
São delírios desumanos,
Ou então foi sempre assim
Que essa gente fraca e crente
Foi contente na corrente e até ao fim.

Não sou assim,
Não creio, enfim em mais que o mutilar da velha dor... da velha dor...

Detesto amor, detesto amor.

Ai...
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