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Milonga Para Uma Flor

Pedro Ortaça

Milonga Para Uma Flor

Me pediram que eu cantasse com sentimento e com calma
Cantasse com toda alma versos que o vento levasse
Que a bordona perguntasse e que a prima respondesse
Pra quando o verso nascesse a chinoca mais querida
Exclamasse comovida não há cantor como esse.

Depois ao sabor do vento e os som de uma milonga mansa
Fosse desatando a trança no lombo do pensamento
E rubiando o firmamento lá onde a boieira flutua
Junto a lindaça xirúa deusa de mil universos
Erguesse um rancho de versos num descampado da lua.

E pra sempre aquerenciado fazendo parte um do outro
Este domador de potros e a deusa dos descampados
Aberto e sem alambrados acima da atmosfera
No rancho da estratosfera em místicos estribilhos
Deixassem de herança aos filhos um canto de primavera.
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