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Grito do Lenha Podre

Pedro Ortaça

Na legendária São Borja
Conheci o seu jornada
Um cruzador de perau
Restinga, várzea e picada

Chão batido, gaita e viola
Garganta bem afinada
Vendendo lenha pro povo
Gritava de madrugada

Olha a lenha, podre
Sempre matando a charada

E assim gritando, no más
Foi juntando a freguesia
5 mil lascas de lenha
Numa passada saia

Até o juiz e o promotor
Pra o Lenha Podre sorria
Por gritar ao seu Vigário
Na sua pura ironia

Olha a lenha, podre
Em seguida se benzia

Ele indo ver as crianças
Gritando pra mãe e o pai
Lá vem vindo o seu Jornada
Das barrancas do Uruguai

Trazendo lenha pra nós
Inverno brabo se vai
E nisso se ouve um grito
De um taura que se distrai

Olha a lenha, podre
Dá uma risada e se vai

Cortando a noite um clarão
Lá pras bandas do nascente
Um trovão se ouve ao longe
Como sinal de uma enchente
Entre um bagre, um pintado
Um trago de aguardente

O grito do lenha podre
Lavando a alma da gente
O grito do lenha podre
Lavando a alma da gente
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